Wednesday, October 11, 2006

BONECAS NEGRAS EM FAVOR DA BELEZA E DA HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA

por Fernanda Lopes Correia, ACS/FCP/MinC

Photobucket - Video and Image Hosting
Franquilina Marques Cardoso

Brasília, 11/10/06 - Foi ao ouvir um diálogo entre duas meninas, uma branca e uma negra, que duas educadoras gaúchas se motivaram a produzir um projeto que valorizasse a auto-estima da criança negra. Mais de dois anos se passaram e o Projeto Bonecas Negras Referencial de Beleza e Valorização das Origens já percorreu cidades gaúchas e também já foi apresentado em Brasília. Confeccionadas com indumentárias africanas, as bonecas e os bonecos encantam os olhos de quem os vê. Mas não são um artigo mercadológico. São instrumentos de promoção da educação inclusiva. Uma prática que semeia por onde passa o amor as origens e o respeito a presença africana na formação da sociedade brasileira. Crianças de escolas públicas e particulares, vestidas com roupas africanas, desfilam ao som de música negra. No passar, a estrela das passarelas é a boneca. Não só a boneca é o destaque, mas sim toda uma proposta pedagógica e social. No mês dedicado à criança, o Portal FCP homenageia a todos os meninos e meninas, negros ou não, com esta entrevista especial. Nossas entrevistadas estão em Porto Alegre e atenderam a repórter Fernanda Lopes com entusiasmo. O entusiasmo de ensinar, de educar e de formar que as professoras gaúchas Franquilina Marques Cardoso e Maria Marques tem ao falar de um projeto que leva vida, saber, sonho e história:


1) Como surgiu a idéia de criar um projeto utilizando bonecas para tratar a questão racial?

Franquilina Cardoso: Após longo tempo de caminhada na questão da valorização da cultura negra como educadoras, sentimos um grande comprometimento de aprofundarmos nosso trabalho, através de atividades lúdicas tendo em vista o diálogo que ouvimos de duas crianças da escola infantil onde trabalhava (Frank). Uma menina negra disse a outra menina, loira, que ela brincava com uma boneca tão loirinha quanto ela. A menina negra então pediu a boneca loira emprestada e disse a amiguinha loira que ela não tinha uma boneca parecida com ela. Ao mesmo tempo, a menina negra disse que não gostava de ser negra porque não tinha uma boneca que se identificasse com ela. Aquela cena me deixou preocupada, porque demonstrou que a menina negra tem sua auto-estima fragmentada. Muito me preocupou por ver que este tipo de situação é bastante comum. Sendo assim, eu e minha colega de projeto, professora Maria Marques, tomamos a iniciativa de começar a pensar em desenvolver alguma atividade que pudesse incrementar a auto-estima da criança negra. Que a fizesse ser incluída também na sociedade. Esta invisibilidade das bonecas negras nos brinquedos nas escolas,nas vitrines, revistas e também na TV como referencial de beleza nos levou a refletir muito. Conscientes do fascínio que os mesmos e suas propriedades criam aos saberes e ao imaginário infantil foi que elaboramos este projeto.

Maria Marques: Após muita pesquisa, associamos nossa produção a confecção de bonecas negras com elementos de uma cultura, algo que vai além de uma apresentação material e mercadológica. Nossa mensagem não é somente lúdica mas também pedagógica,cultural e antropológica, porque se identifica com a realidade educativa dentro de suas diferentes dimensões, valorizando nossas origens, porque gostar de si é essencial para o bem viver. Nossa proposta fundamenta-se em estudos eobservações utilizando com base a Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 10.639, Estatuto da Criança e do Adolescente.

2) Por onde o projeto tem sido realizado, quais são as reações de alunos e professores?

Franquilina: O projeto teve e tem uma caminhada muito significativa. Temos atingido um número elevado de instituições deste sua implantação. Hoje o projeto é divulgado e também realizado junto a Faculdade do Vale do Rio dos Sinos (Feevale), Centro de Ensino Superior de Cachoeirinha (Cesuca), instituições sociais, clubes e também junto a terreiros de religiões de matriz africana. Nosso projeto também foi apresentado em eventos estaduais e nacionais, no Rio Grande do Sul e em Brasília, voltados à Capacitação de Professores, Implantação da Lei 10.639, em escolas particulares e públicas. O Projeto Bonecas Negras também é implantado e apresentado em aproximadamente oito municípios do interior gaúcho.

Maria: Constatamos que todos aqueles que tem contato com o projeto reagem com surpresa. São momentos de euforia, de alegria, de entusiasmo, pois são colocados de frente com uma mensagem positiva, um referencial de beleza e um contato com suas origens. Salientamos não só o aspecto da satisfação em criarmos as bonecas e ver isso no registro dos adultos, que nos escrevem e pedem para contatar com o nosso projeto. Também vemos que os negros e os brancos também vêem nas bonecas a sua própria história de vida, onde nelas identificam aspectos familiares e traços biológicos de seus antepassados.

Franquilina: Para os professores o Projeto Bonecas Negras Referencial de Beleza e Valorização das Origens constitui-se numa ferramenta de trabalho. Pois possibilita o fortalecimento do auto-conceito de alunos e alunas pertencentes a grupos discriminados. Nosso trabalho promove a igualdade e encoraja a participação em todas atividades programadas, já que sua apresentação ao público se dá de forma dinâmica, onde os alunos desfilam, vestidos com roupas africanas. Eles apresentam as bonecas também vestidas com trajes típicos de nações africanas. Na maior parte das apresentações, após o desfile dos alunos, se promove um rápido debate, onde se detalha mais sobre o projeto, sobre a história dos países africanos representados e também se fala sobre o combate ao racismo e a promoção da igualdade entre negros e brancos, formadores da sociedade brasileira.

3) Houve resistência em aplicar o trabalho em alguma localidade

Photobucket - Video and Image Hosting

Franquilina: Não. Sempre temos uma receptividade grande junto às comunidades que assistiram a apresentação do projeto. Mas vemos que no mês de novembro, mês da Consciência Negra, o número de convites e pedidos para a apresentação do projeto aumenta muito. É um mês onde não temos finais de semana e feriados. Essa aceitação se justifica pelas apresentações que realizamos, onde crianças desfilam com as bonecas, ao som de músicas africanas, com muita alegria e animação. Nos desfiles, as estrelas são as bonecas, com suas roupas típicas e o colorido das roupas africanas encanta a todos que assistem ao trabalho. Também falamos sobre o surgimento da boneca no Brasil, ocorrido por volta de 1806, e também do surgimento das primeiras bonecas loiras no Brasil, na década de 50. As bonecas negras resgatam a sensibilidade, alegria, conhecimento da diversidade étnico-racial da população brasileira.

4) Como foi trazer o projeto a Brasília por duas ocasiões: uma na Semana da Criança no Ministério da Cultura, em outubro de 2005 e outra na Semana da Consciência Negra do Ministério da Educação, em novembro do ano passado?

Franquilina: Foi uma grata satisfação em receber o reconhecimento de nosso trabalho fora do Rio Grande do Sul, como o que ocorreu em Brasília. Nos foi de grande emoção sermos convidadas a apresentar o nosso projeto no Ministério da Cultura e também no Ministério da Educação. Através do Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais (GMES), organização não-governamental sediada em Brasília e com filial no Rio Grande do Sul, estivemos em Brasília não apenas nos eventos dos dois ministérios. Também participamos de eventos na Mostra Raízes Africanas, realizada no Conjunto Nacional, na Semana da Consciência Negra do Colégio Marista Jão Paulo II. Os eventos reuniram mais de 500 pessoas. E em especial no Ministério da Cultura, promovemos a Exposição das Bonecas Negras por duas semanas. Alunos do Colégio Marista e também do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes, participaram de nossas atividades. Depois de estarmos em Brasília, também apresentamos nosso trabalho em eventos no Rio Grande do Sul. Hoje, temos convites para apresentar nosso trabalho no Mato Grosso do Sul. Contamos com o apoio de instituições locais para levar nosso trabalho até Campo Grande.

Maria: No Ministério da Educação, o Projeto Bonecas Negras teve uma presença marcante. Um dos momentos que mais me deixou tocada foi a visita de um funcionário do ministério, a qual se disse emocionado porque o nosso trabalho serviria de apoio para seu projeto de conclusão do curso de História, o qual cursava. A presença do ministro da Educação, Fernando Haddad, na abertura do evento trouxe a confirmação que nosso trabalho promove a Diversidade na Educação. Para nós, este projeto realiza nosso sonho de transformar o mundo em um espaço mais igualitário, justo e humano .A presença do projeto Bonecas Negras, Referencial de Beleza e Valorização das Origens nestes eventos nos leva a fazer uma reflexão muito profunda do comprometimento que temos como educadoras e, principalmebte como mulheres negras na contribuição do desenvolvimento da auto-estima,auto-imagem e da valorização do afro-brasileiro.

5) Que mensagem vocês deixam a todos os leitores do nosso Portal? È através da educação que se combate o preconceito racial ?

Photobucket - Video and Image Hosting

Franquilina: A educação é o caminho para a transformação da sociedade. Acredito que com o desenvolvimento de uma proposta pedagógica e lúdica que valorize e respeite a diversidade étnica-racial, cultural e social de cada individuo, cada criança vai encontrar o equilíbrio entre o real e o imaginário. Com isso, ela (a criança) vai alimentar a sua formação interior, para então se descobrir como um agente formador e reprodutor de cultura e de saber.

Maria: Em nome do Projeto Bonecas Negras, gostaria de agradecer a diversas entidades que apoiaram de alguma forma a apresentação de nosso projeto. Nosso agradecimento especial a Fundação Cultural Palmares e também aos ministérios da Educação, dos Esportes, Desenvolvimentos Social e Secretaria de Educação Continuada e Diversidade. Também agradecemos ao apoio do Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais e ao Colégio Marista João Paulo II. Agradeço de forma muito especial a equipe que produz o conteúdo jornalístico deste portal, o qual é editado pelo jornalista Oscar Henrique Cardoso e tem você, Fernanda, como repórter. Estamos sempre à disposição de todos para esclarecimentos e para informações sobre o nosso projeto. Obrigado pelo espaço.


SAIBA MAIS

O Projeto Bonecas Negras Referencial de Beleza e Valorização das Origens é desenvolvido pelas professoras Franquilina Marques Cardoso e Maria Marques. Você pode buscar mais informações sobre o programa, em contato com os e-mails: frank_cardoso@terra.com.br e marquesmz@yahoo.com.br. O projeto percorre não só o Rio Grande do Sul, mas também a todo o território nacional. Convites para apresentações, palestras e participação em seminários podem ser encaminhados para os dois e-mails acima.

www.palmares.gov.br

Thursday, April 20, 2006

GRAVATAÍ: EDUCADORES DAS ESCOLAS RURAIS APRENDEM SOBRE COMUNIDADES QUILOMBOLAS

da Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Gravataí

Mais de 100 professores de 15 escolas municipais da área rural de Gravataí participaram, nesta quinta-feira (20), no salão do Alvi Rubro, do 1º Encontro de Formação Continuada do ano de 2006. O tema do encontro foi “Educação do Campo – Textos e Contextos das Comunidades Quilombolas”. O evento, que foi aberto por uma apresentação do Grupo Afro-Tchê, de Porto Alegre, contou com a presença da secretária municipal de Educação, Romi Leffa Cardoso, que representou o prefeito Sérgio Stasinski.

A palestra principal da parte da manhã foi proferida pela professora Franquilina Cardoso, assessora do Grupo Multiétnico Empreendedores Sociais. O assessor de Políticas Públicas para o Negro de Gravataí, Claudiomiro Silva da Silva, fez um histórico sobre o trabalho que está sendo realizado na cidade, e em especial com as comunidades quilombolas do Paredão e Manuel Barbosa. Em seguida, a secretária Romi Leffa Cardoso saudou o público, falando sobre o Programa de Formação Continuada e ressaltando a importância de todos entenderem as raízes africanas.

Afro-Tchê
O Afro-Tchê subiu ao palco e realizou um emocionante show de percussão, logo depois que o diretor do grupo, Toninho Paz, explicou o trabalho social que o Afro-Tchê faz, proporcionando para mais de 300 adolescentes em situação de risco o contato e o aprendizado da música, inserindo estes menores e seus familiares até mesmo num bloco carnavalesco, o Bloco Afro-Tchê, que abre o carnaval da Capital.

Todo mundo levantou para poder acompanhar o ritmo do Afro-Tchê, que também deu uma demonstração ao vivo do seu método de ensino: cinco pessoas do palco, entre elas a secretária Romi, foram convidadas a pegar os instrumentos. Em menos de cinco minutos, o líder do grupo, Mestre Batata, ensinou algumas batidas e, em sintonia, todos tocaram juntos. O Afro-Tchê se despediu dando uma volta pelo salão, com todos tocando e dançando juntos.

Quilombos
Franquilina Cardoso ressaltou para os presentes que cada um deles estava escrevendo, naquele momento, uma página da história da educação de Gravataí. “Lembrem vocês que a cultura africana tem registros de 150 mil anos antes de Cristo. A cultura européia só aparece 40 mil anos antes de Cristo. Isso quer dizer que a África é o berço da humanidade. E estes dois quilombos que nós temos em Gravataí são um pedacinho daquela África”, afirmou. Franquilina lembrou que existem 102 quilombos no Estado. Destes, apenas os dois de Gravataí e um da cidade de Formigueiro foram escolhidos para receber o apoio da Unesco. “Isso, graças ao trabalho que já é realizado pelo município”, enfatizou.

Mãe Cenira
A ialorixá Cenira Pinheiro de Almeida – Mãe Cenira de Xangô – veio de Porto Alegre para participar do encontro com uma mostra de trabalhos artesanais idealizados por ela e por sua filha Eliane. São pequenas imagens feitas em biscuit sobre pedras, retratando os orixás. “Estas imagens transmitem energia positiva para as pessoas. E, ao mesmo tempo, ajudam a aumentar a fé. Para quem tem fé, até um copo de água é remédio”, garante Mãe Cenira.

Há mais de 10 anos comandando o Centro Africano São Jerônimo, no centro da capital, Mãe Cenira ressalta que com o seu trabalho procura apenas fazer o bem e levar as pessoas a encontrarem a sua própria paz. As pequenas imagens levadas por Mãe Cenira foram procuradas e apreciadas pelos participantes do encontro.

www.rsvirtual.com.br

Monday, October 03, 2005

SEMANA DA CRIANÇA SERÁ INTENSAMENTE COMEMORADA NO MinC

por Oscar Henrique Cardoso, da Assessoria de Comunicação do MinC

Se você não tiver idéia do que fazer com seu filho(a) durante as tardes dos próximos dias, até 14 de outubro, a pedida é vir até o Complexo Cultural do Ministério da Cultura (MinC), onde se desenvolverá uma programação cultural de destaque, em homenagem ao Dia da Criança - 12 de outubro. Jogos, brincadeiras, oficinas de literatura, comunicação, exposição de bonecas negras, e muito mais, estarão à disposição de todos que quiserem participar e prestigiar o evento.
A atividade é uma realização do MinC (Complexo Cultural), em parceria com o Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais (GMES) e Ministério dos Esportes, por meio do Programa Segundo Tempo.

A abertura oficial aconteceu nesta segunda-feira, dia 3, e reuniu autoridades, estudantes e público em geral. Ao som do músico baiano Máximo Mansur, radicado em Brasília, os convidados apreciaram o primeiro dia da exposição Bonecas Negras - Referencial de Beleza e Valorização das Origens, das professoras Franquilina Marques Cardoso e Maria Marques, integrantes do GMES, filial Rio Grande do Sul.

A presidente do Grupo, Nilda Corrêa Cardoso, ressaltou a parceria do grupo com o Ministério da Cultura. O GMES é uma organização não-governamental criada há quatro anos para promover iniciativas de inclusão social, em especial na parceria entre grupos civis e o governo para a construção de novas políticas de valorização da cultura e também do incremento de ações para com jovens, adolescentes e terceira idade.

A professora Franquilina Cardoso, idealizadora da exposição, falou ainda do projeto Bonecas Negras como instrumento de promoção da auto-estima para a criança negra e aplicação da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, a qual versa sobre a inclusão do ensino da história e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares.

Nesta terça-feira, dia 4, os alunos de escolas do DF e também os jovens que participam do Programa Segundo Tempo assistirão, às 17h, sempre no Complexo Cultural do MinC, a exibição do filme Vista Minha Pele, do cineasta Joel Zito Araújo. Após a exibição do filme, a arte-educadora Neide Rafael Ferreira irá conduzir um bate-papo com os jovens sobre Racismo Infantil.


No dia 5 (quarta-feira), às 17h, acontecerá a performance teatral Bonecas Negras, com a mestre em Artes Janete Borges Dutra. Na quinta-feira (dia 6), às 15h, as crianças serão repórteres por um dia, na oficina de comunicação Foquinha por um Dia, a ser ministrada pelo jornalista e radialista Oscar Henrique Cardoso. A programação segue na sexta-feira, dia 7, às 15h, com uma oficina de literatura infantil, com a escritora Maria Helena Vargas da Silveira.

Photobucket - Video and Image Hosting

Fotos: Wigmer Silva

www.cultura.gov.br

ATIVIDADES E DIVERSÃO NO COMPLEXO CULTURAL DO MinC

do site www.cultura.gov.br

De 3 a 14 de outubro, em Brasília, o Complexo Cultural do Ministério da Cultura está com uma programação especial neste mês dedicado à criançada. Dentre as atrações, mostra de filmes, exposição de bonecas, contos e histórias infantis, pintura de rosto, oficinas de Poesia, Literatura e Comunicação. Enfim, atividades para crianças de todas as idades.

Um dos pontos altos é a Exposição de Bonecas Negras com realização do Desfile Bonecas Negras Referencial de Beleza e Valorização das Origens. Este projeto - organizado pela professora Franquilina Marques Cardoso, do Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais - consiste em apresentar às crianças bonecas caracterizadas com roupas de etnias existentes nos países africanos de língua portuguesa. “As bonecas atuam como elementos para promover a auto-estima e a identificação da boneca com a criança negra”, destaca a professora Franquilina.

A programação também conta com muitas outras atrações:

Exibição do filme Vista minha pele - dia 4
Demonstração de arte marcial com o Judô Clube São Francisco - dia 13
Apresentação do Teatro Mamulengo Presepada, de Chico Simões (foto) - dia 14

Para todas as atividades a entrada é franca.
Informações: (61) 3316-2026.

Abertura
Data: 3 de outubro
Horário: 18h
Local: Sede do Ministério da Cultura (Esplanada dos Ministérios, Bloco B - Térreo, Brasília-DF)

Photobucket - Video and Image Hosting

Friday, May 27, 2005

COMEÇOU A DISCUSSÃO PARA TEMAS DO EIE-2005

da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Gravataí

O frio e a chuva da noite da terça-feira (24) não tiraram o brilho da primeira discussão para compor os temas da pauta do Encontro Internacional de Educação, que poderá reunir até dez mil pessoas, entre os dias 9 e 12 de novembro, em Gravataí. Na etapa que começou agora, ocorre a participação mais efetiva das representações dispostas a contribuírem com sugestões para o grande debate que vai acontecer no final do ano, no Parque Municipal de Eventos. O painel “Educação e Diversidade” contou com as presenças de Franquilina Marques Cardoso, do Grupo de Educadores pela Igualdade Racial; de Isidoro de Souza Reses, coordenador geral do Grupo Outra Visão de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros; e de Santos Fagundes, do Centro de Integração Paulo Paim. A atividade coordenada pela secretária municipal de Educação, Romi Leffa Cardoso, reuniu 40 convidados durante duas horas no Cine-teatro municipal.

Na avaliação da Secretária, o objetivo do EIE 2005 começa a ser alcançado na medida em que consegue constituir um espaço de diálogo entre educadores e instituições, governamentais e não-governamentais, movimentos sociais, escolas e universidades para refletir e apresentar subsídios visando a construção de alternativas para a Educação Básica no Brasil e países do Terceiro Mundo, especialmente Latino-Americanos e da África. Romi ressalta que a sistemática adotada, facilitando a participação de educadores e instituições, através de ações públicas, vai promover debates e reflexões sobre os temas do Encontro. O EIE-2005 foi criado a partir de uma proposta conjunta entre a Prefeitura de Gravataí, o Ministério da Educação, o INEP, e o Instituto Integrar do RS, além de dezenas de entidades, lembrou a secretária da Educação de Gravataí.

Photobucket - Video and Image Hosting

DIVERSIDADE – “A sociedade é diversa, desigual”. Com esta expressão, Franquilina Marques Cardoso definiu não apenas o comportamento das pessoas em torno da discriminação racial, mas das diversas manifestações, que começam até mesmo na aparência física. Franquilina, que é Orientadora Educacional, especialista na cultura afro-brasileira e responsável pela operacionalização da Lei 10.639/2003, que inclui nas diretrizes curriculares a educação das religiões étnicos raciais no ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, defende a continuidade da luta pela reivindicação do respeito humano.


Franquilina acredita que com o diálogo nas escolas o quadro de desigualdades poderá ser revertido. Quanto à situação do negro do Brasil, a oradora citou períodos da história do país que demarcavam a discriminação de forma oficial, sem qualquer disfarce. “Por isso enfrentamos certas diferenças até hoje”, disse Franquilina. ”Por mais que se diga o contrário, é real o fato de que as mulheres negras, no Brasil, recebem de salário, em muitos casos, a metade do que recebem mulheres de outras etnias, sem contar o aspecto da capacidade”, frisou ela ao comentar, ainda, o índice alarmante da mortalidade infantil que tem o negro como maior vítima. “De cada mil crianças negras nascidas no Brasil, 66 morrem antes de completar um ano de vida”, salientou.


DEFICIÊNCIA – O estudante de Ciências Sociais da Ulbra/Canoas, Santos Fagundes, foi o segundo painelista da noite. Com 20 anos de trabalho no Movimento Nacional das Pessoas com Deficiência e coordenador nacional do Estatuto da Pessoa com Deficiência, Santos Fagundes colocou o próprio testemunho para exemplificar as dificuldades enfrentadas por pessoas portadoras de deficiência. Cego desde a adolescência, ele acusa o sistema como culpado por não poder estudar numa escola regular, mesmo provando que tinha aptidão e capacidade intelectual para freqüentar os bancos escolares.


Presidente da Associação Escola dos Deficientes Visuais do Vale do Caí, Santos Fagundes relatou a maior parte da juventude teve como única opção voltar ao trabalho na roça. Disse que era um exímio classificador de grãos, ajudando o pai na preparação das lavouras de milho, feijão e moranga. Prova de que ele é uma pessoa capaz está no fato de poder chefiar o gabinete do Senador Paulo Paim no Rio Grande do Sul e participar de palestras em diversos estados do Brasil representando o Centro de Integração Paulo Paim, que é um organismo de articulação de políticas sociais junto aos movimentos sociais e de políticas de inclusão. Seus principais trabalhos estão diretamente ligados aos estatutos da igualdade racial, do idoso e o das pessoas com deficiência. A falta de previsão de espaços para pessoas portadoras de necessidades especiais, bem como as oportunidades de trabalho estão longe de serem as mesmas em relação aos “normais”, conclui Fagundes.


SEXUALIDADE – A palavra de Isidoro de Souza Reses abordou a questão da livre orientação e expressão sexual. O coordenador geral do Grupo Outra Visão de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros foi convidado por sua atuação na área de direitos humanos há quatro anos. Integrando uma entidade ligada à Associação Internacional da América Latina e Caribe, de Lésbicas, Gays e Transgêneros, Isidoro é um dos organizadores da Parada Gay que este ano defende o tema “Direitos iguais, nem menos, nem mais”.


Ele denuncia que é comum o fato de uma pessoa não aceitar a outra, vendo diferenças a partir da fisionomia. Fazendo referências históricas e até bíblicas, Isidoro mostrou argumentos para legitimar a atração entre iguais. Para ele, não há dúvida de que a questão merece um amplo debate e deva ser levada às escolas. Defendendo a livre orientação e expressão sexual, o painelista acredita que, a exemplo de outras formas de discriminação e tabus, também a questão da sexualidade precisa ser tratada pelos educadores. Isidoro enfatizou que superação dos gestos discriminatórios requer políticas públicas e ações concretas, que deixem o papel e a simples discussão para se tornar uma prática.


OPINIÕES – A realização do painel facilita a participação de educadores e instituições em torno de reflexões que se somam para criar a pauta do EIE-2005. Na opinião da professora Janete Jachetti, do Movimento Paulo Freire, “o preconceito que está enraizado na nossa cultura precisa, mais do que nunca, de um debate que necessariamente passa pela escola”. Maria da Graça Pereira, da Escola Municipal Presidente João Goulart, mostrou-se preocupada com a necessidade de se aprimorar a formação para o debate de questões tão polêmicas como estas levantadas. A professora Maria Eusébia Marques, da Escola Estadual Antônio Gomes Corrêa, destacou que as múltiplas atividades e a remuneração do professor nem sempre o motiva a enfrentar situações para as quais não está preparado. Ela citou, entretanto, que de algum tempo pra cá a sua unidade de ensino sabe acolher alunos portadores de alguma deficiência. “Um exemplo está com um cadeirante, que tem toda a solidariedade na escola”, completou.


PRÓXIMOS - A Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Gravataí, estará coordenando, ainda, a realização de mais quatro painéis. No dia 31 de maio, “Educação e Meio Ambiente” será o tema da pauta no Colégio Barbosa Rodrigues, às 19h. Depois, será a vez do tema “Ser Educador”, que terá como palco o Colégio Cenecista Nossa Senhora dos Anjos, na noite de 14 de junho. “O financiamento público da Educação” será o foco da discussão no painel do dia 21 de junho, no Colégio Barbosa Rodrigues. E, concluindo, “Educação, Desenvolvimento e Paz”, no painel marcado para o dia 28 de junho, no Cine-teatro municipal. Todas as sugestões, teses e outras manifestações encaminhadas via e-mail (eie2005@gravatai.rs.gov.br) à Secretaria Executiva, até o dia 30 de junho, serão sistematizadas de forma a contemplar as expectativas do público que virá ao EIE-2005. As propostas definidas farão parte do programa a ser oficializado na primeira quinzena de agosto.

www.gravatai.rs.gov.b